quinta-feira, 23 de maio de 2013

A Tenebrosa Noite de Tempestade

Era uma noite chuvosa quando um pai e sua filha voltavam do hospital onde ficaram o dia inteira na espera que a esposa e mãe estava internada. Uma grave doença desconhecida consumia sua vida e os médicos não sabiam o que fazer.

Como o hospital era longe, eles tinham que cruzar uma longa estrada escura que cortava um grande bosque. O som da chuva batendo no teto do carro , fazia um barulho relaxante e a garota começou a cochilar.

Repentinamente um grande estrondo fez-se ouvir. O trovão veio forte e um relâmpago iluminou a noite. O pai segurou firme o volante e o carro derrapou na estrada molhando até bater em um barranco.

Após verificar se sua filha não estava machucada o homem decidiu sair do carro para ver os estragos que o veículo havia sofrido. Os dois pneus dianteiros estavam furados e uma das rodas amassada.

- Parece que passamos por cima de algo grande na estada. – disse o homem.

A filha, debruçada na janela, perguntou receosa:

- Mas você pode consertar pai?

- Não – disse o homem balançando a cabeça. – Eu só tenho um estepe e vou ter que voltar a pé até a cidade para encontrar alguém que possa nos rebocar, não é longe daqui. Você pode esperar no carro até eu voltar.

- Tudo bem. – disse ela . – Mas não demore muito tempo.

O pai percebeu o medo nos olhos de sua filha e afirmou que iria o mais rápido possível.

A filha olhou pelo vidro de trás até ver o pai desaparecer , andando pela estrada no meio da noite.

Havia passado mais de uma hora e o homem ainda não tinha retornado. A garota começou a ficar preocupada, qual seria o motivo de tanta demora? Será que seu pai não havia encontrando nenhum reboque? O medo de ficar naquela estrada escura aumentava cada vez mais até que ela viu um vulto ao longe, vindo pela estrada.

Inicialmente ela ficou alegre, pois pensou que fosse seu pai, porém a alegria inicial foi virando medo quando ela pode perceber que era um homem estranho que vinha andando pela estrada. Agora, mais perto e iluminado pelos eventuais relâmpagos podia ver que se tratava de um homem alto, vestindo macacão e com uma barba em torno do rosto. Notou que algo grande estava sendo carregado em sua mão esquerda.

A garota começou a ficar nervosa e rapidamente trancou todas as portas do carro, após fazer isto e se sentir mais segura olhou para fora: o homem havia parado e olhava fixamente para ela a uma distância alguns metros.

De repente ele levantou o braço e a menina soltou um grito horripilante. Seu corpo todo tremia, as lágrimas invadiram seus olhos e apavorada viu que na mão esquerda o homem segurava a cabeça decepada de seu pai.

Seu coração batia aceleradamente e ela gritava sem parar. A expressão grotesca deu seu pai era horrível. A boca estava entreaberta com a língua de fora e os olhos estavam todos brancos.

Do lado de fora, colado em sua janela o homem olhava com raiva para ela. Seus olhos estavam injetados de sangue e seu rosto era coberto de cicatrizes. . Por um breve momento ele ficou sorrindo para ela como se fosse um louco, então lentamente ele colocou a mão no bolso e tirou algo e agitou para que ela visse.

Na sua mão estava as chaves do carro do seu pai...

Amigo imaginário

Créditos : http://medob.blogspot.com/
"O pior cego é aquele que não quer ver". Talvez essa seja a frase que descreverá todo esse texto. Agora, distinguir um fato de uma ilusão é algo difícil, uma vez que nosso cérebro tende a inventar coisas. Um exemplo? Amigos imaginários.

Amigos imaginários praticamente adentraram na nossa cultura. Todos acham normal e até mesmo curioso ver uma criança conversando com ninguém e apresentando nada para os outros, dizendo que aquilo era seu amigo imaginário.

Quando você pede para a criança descrever o amigo imaginário, elas falam, surpresas: "Nossa! Não está vendo ele? Veja como é bonito! Olhe suas asas! Sua calda!"

Você com certeza já deve ter ouvido falar de "sensibilidade paranormal". Pelo menos eu acredito que seja esse o nome dado às pessoas que possuem a "habilidades" que permitem fazer coisas como ver espíritos. A sensibilidade só atingiria alguns sortudos da população e à medida que envelhecessem, a sensibilidade iria ser ignorada.

O que eu quis dizer com isso: que você provavelmente nasceu ou então na infância conhecia alguém que tinha a sensibilidade paranormal. Mas geralmente as crianças que tem essa habilidade a possuem por volta de 1 à 5 anos de idade. São raros os casos de pessoas que conseguem manter a habilidade para o resto da vida. As crianças que possuem isso acabam sendo aversas a contato com uma pessoa de verdade, apenas se limitando as pessoas com quem ela convive. Por isso, ela conversa com o ar, ou o tipicamente conhecido amigo imaginário.

Amigos imaginários. Esse é o ponto. Supostamente são coisas da sua cabeça, correto? Ou melhor, algo passageiro como dizem os psicólogos, algo que crianças que foram criadas sozinhas (longe da companhia dos pais e sem irmãos ou primos) acabam criando dentro de sua cabeça para tentar "combater" a solidão.




A estimativa de vida de um amigo imaginário dura até os 7 anos de idade de seu "dono". Depois? São esquecidos, e quando os conhecidos do indivíduo acabam perguntando coisas relacionadas ao amigo imaginário como "como conversavam?", a pessoa geralmente não irá dar uma resposta sólida, apenas dirá algo como "eu era muito jovem e por isso não me lembro nem como ele era!".

E quando você tentava se lembrar como ele era, acabava apenas distorcendo mais a imagem daquele vulto negro que você chamava de amigo. Ele se tornava algo mais amável, um urso gigante azul ou um astronauta de macacão vermelho, e você pouco se importava como ele realmente era, já que nunca mais voltará a ver ele de novo.

Será que é verdade?

O caso é que você não se lembra, porque você não quer se lembrar. O seu amigo imaginário estava lá para te atormentar. As brincadeiras que ele mandava você fazer não eram coisas saudáveis, e sim maldades. Ele fez você se afastar das outras pessoas, pois sabia que se você estivesse sozinho, você não teria chance e ele poderia se alimentar da sua solidão e de sua vida por mais tempo. Como um parasita.

Obviamente, você é apenas uma criança ingênua, sendo iludida por um monstro que estava se alimentando de sua essência. Mas, os seres humanos adquiriram uma habilidade única. Uma coisa que difere eles dos animais: eles podem criar ilusões para mascarar o que realmente aconteceu. Isso fica claro com pesquisas que aparecem por aí e que provam que grande maioria de nossas memórias são falsas.

Como supostamente ele é um parasita mental, só pode ser combatido com essa habilidade instintiva do cérebro para aliviar o sofrimento e apenas empurrar a sujeira para debaixo do tapete, e guardar o amigo imaginário em um baú nos confins de seu crânio. Feito isso, você pode seguir em frente e se desenvolver...viver a vida.

Porém, o que você (e seu cérebro) não sabem é que seu amigo imaginário, embora aparentemente nunca tenha existido e tenha sido desligado de sua mente, ele está bem ativo, te controlando subconscientemente. Antes ele estava em seu primeiro estágio e você podia vê-lo. Agora você não pode vê-lo - e o pior - ele controla você.

Ele que te faz sentir raiva. Ele que te faz agir com violência contra as outras pessoas. Ele que te faz se sentir sozinho. E quando você finalmente estiver sozinho, você será consumido e levado para "aquele lugar".

Você provavelmente não deve estar entendendo por qual motivo ele levaria tanto tempo te atormentando e preso em sua cabeça, se poderia simplesmente entrar no inferno?

Isso é simples. Apenas seres com alma entram lá. Amigos imaginários não são exatamente "almas". Por isso, eles habitam as pessoas, as enchendo de pensamentos negativos para poderem ir até onde interessa, entrando como clandestinos. Como parasitas. São inúmeros os exemplos, mas alguns casos famosos ilustram bem como isso acontece. Kurt Cobain por exemplo. Até hoje não se sabe se ele foi assassinado ou se suicidou. Se alguém plantou a nota de suicídio dele ou se ele escreveu a punho aquilo. Mas a nota de suicídio dele é dirigida a alguém especial...seu amigo imaginário.

Talvez isso já esteja acontecendo com você. Talvez você não veja aqueles vultos como "amigos imaginários" como as crianças tanto descrevem. Para você podem ser apenas assombrações... Ou sombras. Pois seu cérebro provavelmente irá negar algo ilógico, usando sua famosa habilidade de iludir.

De qualquer modo, você pode acreditar nisso tudo que acabei de te falar...ou simplesmente negar tudo.

Com carinho, seu amigo imaginário.